sábado, 5 de novembro de 2011

2+2=5

    René Descartes, matemático, pensador e filósofo disse uma vez: Cogito Ergo sum. Essa frase é a nossa conhecida "Penso logo existo." Mais tarde virou Dubito, Ergo Cogito, Ergo Sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo". Nos tempos de colégio, fomos apresentados a filosofia e a arte de pensar. Aprendemos a duvidar, a questionar, a buscar na dúvida a solução para então entender. Assim como a base de qualquer ciência, qualquer experimento, qualquer entendimento, primeiro há uma dúvida da qual origina uma busca pela resposta. Seguindo a ideia, o aprendizado, era para o mundo ser repleto de pensadores, mas o que vejo é o oposto. O mundo está, em sua maioria, repleto daqueles que sequer esboçam um ar de dúvida.

   É inegável que partes do livro 1984 de George Orwell podem ser encontradas no mundo de hoje, mas creio que vejo alguns pontos que passam despercebidos por todos. A "crimidéia" pode ser uma explicação para  essa preguiça de pensar. O medo de que seus pensamentos sejam crimes, de que eles o traem, pode ser uma explicação. Porém, acho que o condicionamento do pensar é o que melhor se adapta. Porque não? Todos sabemos que 2+2 são 5! Como também é visto em A Laranja Mecância, no livro de Orwell as pessoas são condicionadas a acreditar em algo, o que acaba mostrando que a verdade é também uma questão de ponto de vista. O que para mim é azul, para você pode ser verde. E se desde pequeno você for condicionado a achar que a grama é azul, isso será a sua verdade. Sendo assim, a verdade é o que nos foi dito, o que nos fizeram acreditar.

   O que faz ou não bem para a saúde, o que é legal, a música que é boa ou ruim, as modas, o mundo gira em torno do condicionamento, na fábrica de verdades. As propagadas ditam o que se deve comprar, as novelas mostram como se deve agir, os jornais dizem a verdade sobre o mundo. E não existe dúvida alguma em relação a isso! Não há perguntas! Quando dizem que a massa é burra, não estão mentindo. E esta é desta forma porque não pensa! Ela é exatamente o que vê, sem pestanejar. São como bebês que absorvem tudo ao seu redor. Mas o que foi julgado comum as massas pobres se alastrou  para todas as classes sócio econômicas. Parece não existir mais a criatividade, o único, o diferente. Voltamos ao fordismo onde todos os produtos, nós, são padronizados, cópias idênticas de uma mesma carcaça! Quem dera fosse só a carcaça... mas o interior é o começo desse processo. Começou lá em cima, no cérebro, ou o que está faltando nele. A falta do "eu", a falta da capacidade de escolher, a falta da capacidade de pensar.

   E o que seria o pior: Ver que vivemos em uma realidade fordista ou em ver que a massa não consegue pensar ou agir por si própria?  É uma pergunta difícil, mas me arrisco a pensar em uma resposta. E como Descartes, penso logo existo, ou melhor, existo porque penso!

2 + 2 = 5

Um comentário:

'       Viih ϟ disse...

Realmente, concordo com o texto. E infelizmente as pessoas tem preguiça não só de pensar, assim como tem de agir também . E por isso, muitas vezes acabam se colocando como não existentes . E também digamos que a modernidade tornou tudo mais fácil, então pensar já não é mais uma tarefa tão relevante assim... E acaba que com essa preguiça, a tendência é só piorar e, consequentemente, atrofiar o cérebro.


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Abraço .