terça-feira, 9 de junho de 2009

Conto : A garota do ônibus

A garota do ônibus

Como é monótona a nossa rotina diária. Acordo as 6:00, tomo banho, me arrumo, tomo café, escovo os dentes, saio de casa as pressas para pegar o ônibus das 6:30 para ir para ao colégio. Chegando lá sou bombardeado com questões, deveres, conhecimento, que no fim bombardeiam minha paciência. Depois de horas estudando a finco, saio correndo para não perder os cursos complementares: segunda e quinta, inglês, terça espanhol, na sexta informática e na quarta tenho o meu sagrado basquetebol. Coincidentemente todos os dias, volto para casa no ônibus das 17:30, ou seja, fico aproximadamente 12:00 horas fora de casa.

Todos os dias a mesma coisa, as mesmas coisas em todos os dias, a mesma rotina, as mesmas pessoas.

Segunda, dia de inglês depois do colégio. Estava tão desanimado que nem tomei café da manhã direito. Também não me sentia bem, acho que comi algo estragado, mas não é hora de pensar nisso, é hora de correr para pegar o ônibus. Corri o máximo que pude para alcançar o ônibus no ultimo segundo, se o perdesse arruinaria todo meu dia. Subi ainda tentando achar o ar que me faltava nos pulmões, paguei a passagem e me deixei sentar em qualquer poltrona. Fiquei alguns minutos reavendo meu fôlego. Quando o reencontrei, olhei para os lados e notei as mesmas pessoas, as mesmas pessoas que todo dia pegam o mesmo ônibus que eu, mas tinha algo diferente que passou despercebido pela minha rápida observação, tinha alguém diferente no ônibus. Nem sei como passou despercebido, quer dizer ela passou despercebida. Era a garota mais bonita que vi na minha humilde e inexperiente vida.

Fiquei a observando o resto do caminho, nem ousava em desviar o olhar. “Como era linda”, não havia razão para que eu desviasse o olhar. Quem era ela, o que fazia nesse ônibus, naquele horário? “Como era tão linda?” Fiquei em uma espécie de transe hipnótico e só acordei quando ela desceu do ônibus. Fiquei observando ela descer calmamente, e depois que o ônibus partiu fiquei pensando nela. Só depois percebi que havia passado do meu ponto, tive que voltar correndo e no fim cheguei atrasado no colégio. Nem me importei, só pensava na garota do ônibus.

Várias perguntas inundavam minha consciência, às vezes as mesmas que me apareceram na hora, às vezes outras como: Onde ela mora? Será que mora perto de casa? Será que se mudou agora? Várias perguntas no ar.

Passei o dia sem me concentrar em nada, até na curso de inglês eu não me concentrei, pelo menos peguei o ônibus no horário. Quando me sentei tive uma surpresa, ela estava de novo no ônibus. Seria coincidência? Não é possível, não existe coincidência. Nem pensei mais, fiquei somente a admirando, meus pensamentos que esperassem. Dessa vez não marquei bobeira e desci em casa, e deduzi que por ela estar no ônibus quando entrei de manhã e por continuar no ônibus quando sai dele à tarde, ela deve morar depois da minha casa, mas porque pensava nisso, talvez ela nem pegue o ônibus novamente.

Depois de estudar um pouco e dormir um bocado, enfim, dei bom dia à gloriosa terça-feira. Fiz o que de costume e fui pegar o ônibus, nem havia pensado na garota, até avistar o ônibus. Foi como se fosse um botão de ativação, vi o ônibus e comecei a pensar nela. O nervosismo me tomou pouco antes de entrar no ônibus, o coração acelerado, só consegui me deixar jogar na cadeira mais próxima e fiquei um tempo pensando. “Afinal, o porquê ficar nervoso.”

Olhei pelo o ônibus e a vi, me peguei sorrindo sem querer, mas um sorriso gostoso que deixei que ele continuasse. Passei a viagem inteira a observando, e percebi que ela continuava no ônibus quando chegou no meu ponto. Passei o dia pensando nela, mas sem me pressionar, porque a chance de reencontrá-la no ônibus de volta era praticamente remota. Então tive um dia tranqüilo, sem me preocupar com nada.

Quando subi no ônibus de volta, tive uma surpresa, lá estava ela novamente. De novo, não pode ser coincidência. Quais seriam as chances de duas pessoas pegarem o mesmo ônibus duas vezes em dois dias seguidos, em uma grande metrópole. Eu fiquei nervoso pensando e por que não, a admirando. Foi admirando-a que ela me olhou. Me pegou de surpresa, a única reação que tive foi virar o rosto e disfarçar. Nem preciso dizer que fiquei mais nervoso ainda. Fiquei com medo de olhar novamente, com medo de que ela me olhasse também, como alguém sendo pego em flagrante. Que bobeira, porque ter medo, por olhar alguém? Nem pensei mais, olhei-a novamente e ela estava me olhando, sorrindo. Novamente virei o rosto, agora com um pouco de vergonha.

Enquanto olhava para janela, percebi que o meu ponto se aproximava. Fui em direção à porta do ônibus sem olhá-la, morrendo de vergonha. Quando desci do ônibus fiquei pensando no porque estava com vergonha, no porque eu tinha medo. Não tinha motivo para isso, afinal não devo nada a ninguém. Na verdade deveria falar com ela, afinal sou um homem. Então estava decidido, no dia seguinte eu iria falar com ela no ônibus.

Passou-se terça e chegou quarta-feira, o dia em que eu iria enfim falar com a garota do ônibus. Me arrumei com uma felicidade sem explicação e me dirigi ao ponto, chegando até adiantado. Subi com calma no ônibus, pois ia olhar primeiro para procurá-la e ver se ela sentara sozinha, sendo assim eu poderia sentar do lado dela. Olhei no ônibus todo e não a vi. Olhei novamente, não acreditando no que estava vendo, mas novamente não a vi. Parecia até que meu mundo havia caído. Porque ela não estava ali, porque ela não aparecera? Será que era um sinal? Eu deveria ter falado com ela antes, perdi a oportunidade, talvez a única. E se ela nunca mais aparecer? Ai meu Deus, a culpa foi toda minha, era só trocar algumas palavras, mas por covardia não trocaste. “Grande covarde você!”

Meu dia foi uma merda. Perdi toda a concentração. Não me concentrei no colégio, e pior ainda, no melhor dia da semana, o dia em que jogo basquete. Não consegui jogar nada, por um lado foi bom que era só um treino, mas mesmo assim foi motivo para um sermão do treinador. Sai um bagaço do treino, morrendo de raiva por ela não ter pego o ônibus e a obrigando a pegar o ônibus. Estava com tanta raiva que resmungava sozinho “Nem ouse não pegar o ônibus agora!” Um pobre insano andando até o ônibus, subindo nele e sentando na cadeira. A raiva era tanta que nem havia prestada atenção, havia entrado no ônibus e nem a procurara. Levantei a procurei com o olhar, infelizmente em vão.

Talvez nunca mais a encontrasse, tolice a minha em acreditar em algo. Tolice a minha admirar uma coisa que não estava no meu mundo, uma coisa que estava fora da minha vida, da minha rotina. Só restou naquele dia, esperar seu termino e o começou de outro.

Um novo dia, a mesma rotina. Retornei a minha rotina, retornou minhas dores, novamente na barriga, novamente não tomei café da manhã, novamente na rotina. Corri novamente para pegar o ônibus, subi novamente sem fôlego e novamente me deixei jogar na cadeira. Abri a janela, fechei os olhos e tentei recobrar o fôlego. Foi quando uma voz feminina ressoou ao meu lado:“Posso sentar ao seu lado?” Dizia.

Abri os olhos perplexos e me virei afirmando para olhá-la. Foi quando a vi. Era ela, ela estava ao meu lado sentada sorrindo. Nem preciso dizer que sorri também. Ficamos quietos nos entreolhando, sorrindo, até ela irromper o silencio dizendo:”Parece que você está bastante feliz, seria a minha presença?”

“Estaria mentindo se dissesse que não!”

Nós ficamos nos olhando,enquanto o ônibus partia,comigo e com ela,juntos.

2 comentários:

Thamara Morgan Burns disse...

um post beeeeem grande por sinal, mas não foi cansativo ler, fiquei torcendo num final feliz (tipo o heróie a mocinha).
to sorrindo agora, meu irmão branquelo se apaixonou ;D

Diogo disse...

Na verdade não é real,é um conto!