terça-feira, 31 de julho de 2012

O Muro


Dois homens estavam em lados opostos de um muro. Ambos não conseguiam atravessa-lo. Diante de uma conversa, o homem do lado direito perguntou ao homem do lado esquerdo qual era a cor do muro. O homem do lado esquerdo respondeu, "o muro é verde"! O homem do lado direito discordou, "é claro que o muro é azul"! O homem do lado esquerdo gozou da resposta do outro, "é um alienado mesmo"!

Os dois passaram dias discutindo a cor do muro, sem perceber que o verdadeiro muro foi aquele que ergueram com a incapacidade de entender o próximo.E que no fim, independente da cor, o muro era apenas um muro.

-- Diogo Coimbra

sábado, 5 de novembro de 2011

2+2=5

    René Descartes, matemático, pensador e filósofo disse uma vez: Cogito Ergo sum. Essa frase é a nossa conhecida "Penso logo existo." Mais tarde virou Dubito, Ergo Cogito, Ergo Sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo". Nos tempos de colégio, fomos apresentados a filosofia e a arte de pensar. Aprendemos a duvidar, a questionar, a buscar na dúvida a solução para então entender. Assim como a base de qualquer ciência, qualquer experimento, qualquer entendimento, primeiro há uma dúvida da qual origina uma busca pela resposta. Seguindo a ideia, o aprendizado, era para o mundo ser repleto de pensadores, mas o que vejo é o oposto. O mundo está, em sua maioria, repleto daqueles que sequer esboçam um ar de dúvida.

   É inegável que partes do livro 1984 de George Orwell podem ser encontradas no mundo de hoje, mas creio que vejo alguns pontos que passam despercebidos por todos. A "crimidéia" pode ser uma explicação para  essa preguiça de pensar. O medo de que seus pensamentos sejam crimes, de que eles o traem, pode ser uma explicação. Porém, acho que o condicionamento do pensar é o que melhor se adapta. Porque não? Todos sabemos que 2+2 são 5! Como também é visto em A Laranja Mecância, no livro de Orwell as pessoas são condicionadas a acreditar em algo, o que acaba mostrando que a verdade é também uma questão de ponto de vista. O que para mim é azul, para você pode ser verde. E se desde pequeno você for condicionado a achar que a grama é azul, isso será a sua verdade. Sendo assim, a verdade é o que nos foi dito, o que nos fizeram acreditar.

   O que faz ou não bem para a saúde, o que é legal, a música que é boa ou ruim, as modas, o mundo gira em torno do condicionamento, na fábrica de verdades. As propagadas ditam o que se deve comprar, as novelas mostram como se deve agir, os jornais dizem a verdade sobre o mundo. E não existe dúvida alguma em relação a isso! Não há perguntas! Quando dizem que a massa é burra, não estão mentindo. E esta é desta forma porque não pensa! Ela é exatamente o que vê, sem pestanejar. São como bebês que absorvem tudo ao seu redor. Mas o que foi julgado comum as massas pobres se alastrou  para todas as classes sócio econômicas. Parece não existir mais a criatividade, o único, o diferente. Voltamos ao fordismo onde todos os produtos, nós, são padronizados, cópias idênticas de uma mesma carcaça! Quem dera fosse só a carcaça... mas o interior é o começo desse processo. Começou lá em cima, no cérebro, ou o que está faltando nele. A falta do "eu", a falta da capacidade de escolher, a falta da capacidade de pensar.

   E o que seria o pior: Ver que vivemos em uma realidade fordista ou em ver que a massa não consegue pensar ou agir por si própria?  É uma pergunta difícil, mas me arrisco a pensar em uma resposta. E como Descartes, penso logo existo, ou melhor, existo porque penso!

2 + 2 = 5

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dramatização da vida


      E abrem-se as cortinas. Mais um show está para começar. O nome deste? Chama-se vida! Ele tem um toque de tudo, paixão, aventura, suspense, mas o que mais se vê é drama! Ah, este show... belo, sublime, mas chato pela sua excessiva enxurrada de drama...

      Prestemos atenção. O que é mais importante, a vida? Ou o dinheiro? Resposta certa seria a vida, mas o dinheiro auxilia a vida moderna... complicou um pouco. Então o que é melhor, amar ou ser amado? Bom, quem ama e não é amado é infeliz, mas ser amado sem amar é sem graça, e a vida dos dois pombinhos seria infeliz, ou chegaria ao ponto onde um seria muito infeliz! É bem complicado, bem complicado, então... quem sofre mais, um tetraplégico que perdeu todos os sentidos da vida ou alguem que teve seu aniversário de namoro ignorado?

     Essas perguntas foram forçadas, mas todas possuem diversas respostas e talvez todos queiram optar pelo meio termo... com exceção da última ( eu acho) . Este não é somente um único e isolado exemplo, existem diversos mais hoje em dia! A vida ficou tão sem graça que a graça é dramatizar coisas ridículas de uma forma mesquinha com o resto do mundo! Dizer que está sofrendo horrores porque está de castigo, que sua vida acabou porque o seu amor lhe deixou ( sendo que está é a 50ª vez que diz isso ), se isolando em um canto porque seu time perdeu o campeonato ou se entregando aos prantos porque está vendo um ídolo dizendo que este é o momento mais importante da sua vida.... realmente deve ser... Nossa, que vida sem graça...

     E o porque do "mesquinha"? Porque enquanto uns se importam dramaticamente com coisas idiotas, outros se importam com coisas muito piores, muito mais emotivas. Enquanto uns se jogam ao chão fazendo birra por algo idiota, outros vencem coisas 10x mais insuperáveis que a sua. Ou seja, vencem o que para você com certeza seria insuperável! Enquanto uns brincam de crescer com crianças malcriadas que não aceitam um não da vida, outros envelhecem como sábios, sabendo que a cada queda é preciso levantar.

    Eu tenho raiva dessa excessiva dramatização! Passo por coisas mais complicadas e piores e continuo andando porque sei que outros passam por coisas piores que as minhas. Sei que nunca vou conseguir tudo e entendo cada fim como inicio de um novo ciclo. Entendo que a vida é em si um ciclo, em que determinados momentos eu estarei em lugares diferentes. Entendo que se eu não continuar andando, os outros não andarão por mim. E se parar, a vida continuará passando e eu ficarei para trás.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A virada

    E um novo ano começa... E como a primeira impressão é que fica, começamos o ano com a sensação de que ele será um espelho da virada de ano, o réveillon. Então começamos bem, não? Com fogos, sorrisos, abraços... cheios de felicidades, que transbordam por todas as faces que passam ao seu alcance. Será que é assim mesmo? Bom, este foi o meu 22º réveillon, contando com aqueles que não tinha nem idéia do que estava acontecendo. E percebo que não há nada de diferente entre eles! É claro, locais, a minha idade, as pessoas ao meu redor, isso muda, mas não o sentido. A data continua significando a passagem de um ano para o outro. Apesar de em tempos diferentes, ela continua sendo a mesma coisa! E analisando que isto sempre vai acontecer, vejo que isso não tem nada de especial! 

    Vejo também, como vi ontem a noite, que eu não sinto felicidade alguma com esta passagem e que muitos também partilham do meu pensamento. E estas pessoas, escancaram sorrisos nos seus rostos, simulam abraços acalorados e apertos de mãos afetuosos com pessoas que nem conhecem. Bom, além deste fato, as pessoas encaram essa "virada" como uma "virada" em suas vidas. Planejam coisas, prometem coisas, sonham com coisas que não cumprem nem correm atrás! Essa ilusão de que é sempre um recomeço... pobres "mortais"... A vida continua e seus erros também. O passado doloroso, as mágoas, as frustrações. E eles tentam camuflar isso com sorrisos bestas e frases inúteis que só duram um dia, ou algumas horas ou minutos antes e depois da contagem regressiva. Se iludem com estas mentiras e iludem os outros com a sua falsidade. Mas isso é real ? É sincero ? Então começamos o ano com falsidades? Com hipocrisia? Com falsas promessas? Um bom jeito de começar o ano não é? Ou você se conforma com esta "virada", ou você faz a verdadeira "virada".

   A verdadeira que consiste em todo dia avaliar a si mesmo, seus erros, acertos, dúvidas, e sempre tentar melhorar. Avaliar as suas atitudes com o próximo, sua forma como os tratam, com verdades ou com mentiras e pensar que se você estivesse em seu lugar como você se sentiria. Mas estas mudanças não podem ocorrer de modo falso muito menos uma vez ao ano. Elas tem de ser sinceras e tem de ser avaliadas e realizadas o máximo de vezes possíveis. Retire sua máscara e seja quem você quer e deve ser! Não por um momento, por uma "virada" de ano, mas por toda a sua vida!